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Vaca Profana

O delivery de comida vegana em São Gonçalo, que comunica através de seus pratos, a igualdade para todos os seres. “A revolução será vegana e feminista”



Criadora do Vaca Profana Bistrô, Juliana Fidelis, moradora de São Gonçalo, passou por uma reviravolta na sua vida pessoal e profissional, que a fez perceber que empreender era um sonho escondido no seu inconsciente. Mas o medo das críticas e a vontade de criar o negócio perfeito, no lugar perfeito e no momento perfeito, acabou fazendo com que esse sonho ficasse guardado por mais tempo do que ela gostaria. Foi quando iniciou a terapia para tratar a depressão, que ela entendeu que esse sonho poderia ser adaptado a sua realidade e numa necessidade, viu uma oportunidade de negócio.


“Quando me tornei vegetariana só podia comer batata frita com os meus colegas e isso era frustrante. Cozinhava para eles na minha casa e eles adoravam! Eu sempre pensava que gostaria de ter a opção de pedir um daqueles lanches e a vontade de abrir um restaurante estava sempre rondando a minha cabeça. Então, junto com minha terapeuta, entendi que aquilo não precisava ser um sonho distante e comecei a planejar como trazer ele para minha realidade. Fiquei meses testando receitas, trabalhando muito minha mente e aos poucos, com o apoio da minha mãe e amigos, fui definindo o cardápio, tirei fotos, fiz minha inscrição no iFood, criei o Instagram, tentando não colocar muita expectativa, mas fiz tudo com muito carinho.”



Mas pra Ju, o Vaca não é só um restaurante, é uma ferramenta de comunicação de suas ideias sobre feminismo, veganismo e igualdade social, pilares que norteiam o posicionamento da empresa. Não à toa, seu prato mais vendido se chama Burger Antifacista. A ideia de construir um negócio do qual ela gostaria de consumir, é sua grande motivação e unir seu trabalho às suas ideologias, se transformou numa conexão potente entre ela e outros agentes da transformação que ela gostaria de ver no mundo.


“Acho que veganismo e feminismo, duas pautas muito significativas pra mim, tem tudo a ver. Agora meu negócio tem sido meu porto seguro e fonte de autoestima. O controle e exploração da natalidade é o que aprisiona fêmeas de todas as espécies. Poder abordar o assunto e trazer alternativas concretas para minha região, que aliás, é bem desvalorizada (chamam aqui de cidade dormitório, como se não ouvissem alternativas para se viver a cidade), tem sido mais do que uma fonte de renda, tem sido fonte de alegria, superação e orgulho.


Para pensar uma forma diferente da gente se organizar e viver em sociedade, com harmonia com o meio, a gente precisa olhar para tudo com muito cuidado, empatia e amor. Enquanto o ser humano estiver explorando outras vidas, como faz principalmente com mulheres, negros, indígenas e com os animais, não os enxergando com igualdade, pensando que outro ser está ali somente para servir, vai ser impossível construir uma sociedade que seja igualitária, sabe. O capitalismo e o patriarcado já deram o que tinham que dar, mas pra destruir esses sistemas precisamos mudar nossos hábitos. Acredito numa revolução horizontal.”


Hoje compõem a equipe do Vaca, a Ju, sua mãe Vera, professora de história aposentada do Estado do RJ que é uma grande mestra dessas ideologias revolucionárias na vida da Ju. Se você é de São Gonçalo e amou essa ideia, corre nas redes sociais do @vacabistro pra conhecer todos os pratos.