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Renan Aguena registra sua produção artística em parceria com o TNS


Renan Aguena é Artista Autodidata, tem 29 anos e é morador de Brás de Pina, Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi um dos primeiros artistas plásticos a passar aqui no TNS e volta hoje com um registro de suas obras realizado em parceria com nossa equipe. Seu trabalho envolve uma pesquisa e produção artística a partir do território suburbano carioca que se traduz em obras em diferentes meios como a colagem e decolagem, pintura e escultura de diferentes formatos e escalas. No nosso primeiro papo, em 2020, Renan nos disse:


“Tenho pensado minha produção, não em séries, mas como uma construção onde minha relação de quase três décadas com o território é tão fundamental quanto a minha pesquisa e aprofundamento das relações socioculturais que permeiam esse lugar, uma relação serve de suporte para o aprofundamento da outra, tem minhas memórias, tem minhas pegadas e tem um desejo de se construir coletivamente novas perspectivas sociais, culturais e educacionais para o subúrbio."


Já em 2021, rolou um contato dele comigo (Marcos) à procura de um fotógrafo para registrar suas obras. Fazia tempo que queria tirar sua produção do instagram e organizá-la da maneira devida em um site. Dessa conversa surgiu a ideia de produzir um vídeo apresentando o artista junto às suas obras e o seu ambiente de criação, como também um pouco do processo envolvido em tudo.




Trabalho pronto, site no ar. Resolvemos trazer isso tudo aqui junto com mais uma conversa com o Renan sobre sua atuação, a cena suburbana das artes e até sua recente decisão por se aposentar enquanto artista plástico.


Me diz uma coisa, você já vinha com uma produção muito interessante de uns anos pra cá mas do final do ano passado pra esse rolou uma produção intensiva junto com um outro direcionamento da sua carreira artística, certo? O que rolou nesse intervalo? Como você enxerga o que você vem fazendo recentemente?


Rolaram várias coisas ao mesmo tempo, mas basicamente, a chegada da Hoa somada ao ano de pandemia fez eu querer intensificar minha produção no segundo semestre de 2020. E a partir dessa vontade eu fui construindo os trabalhos e pensando nas coisas que eu queria tratar. O fato de não ter bibliotecas abertas foi um fator muito importante, porque o que eu tinha planejado de tratar nos meus próximos trabalhos eram assuntos que demandam uma certa pesquisa e eu precisaria ter acesso às bibliotecas.


Não sei definir muito bem como eu enxergo o meu fazer, mas posso dizer que ele é um processo natural e mutável, constantemente. E que talvez eu veja o artista como um grande observador e mixador de coisas materiais ou não. Eu só tento mixar de um jeito que fique foda e que não pareça que foi outra pessoa que fez.



Nisso você teve a ideia de fazer esse registro em foto e vídeo. Pq isso foi importante e como você acha que isso deveria refletir seu trabalho?


Eu acho que todo trabalho merece ter um registro de alta qualidade, muitas das vezes isso é impossível, e cada trabalho de alguma forma consegue responder melhor a cada nível de registro. E eu tenho essa consciência que muitos detalhes, principalmente das colagens, eles se perdem se o registro não for bom, e isso mata a obra.


Eu queria conseguir apresentar esse trabalho de uma forma diferente, não só uma foto do lado da obra como rola bastante, ou um vídeo calmo com uma melodia suave ao fundo enquanto eu falo da poética do meu trabalho. Queria algo mais próximo da minha realidade, com influencia nas edições de clipes trap e rap.



Conta a história aí de como tu achou um fotógrafo e videomaker disposto a embarcar na tua.


Cara, eu sofri um pouco, porque eu falei com pessoas próximas que cagaram pra mim, aí falei com Marcos que eu só tinha visto uma vez na vida até o momento...aí o resto é resenha.



O que tu acha da cena de artistas plásticos da ZN?


Acho que seria injusto da minha parte falar só da galera da Zona Norte, mas de todo mundo que tá às margens, Zona Oeste, Bxd, Galera de São Gonçalo, galera de cidades do interior que fazem o corre...definitivamente é muita gente. Eu acho a coisa mais linda de se ver e se viver mano, papo reto e eu fico pensando até que momento a estrutura da arte vai conseguir sustentar esse posicionamento de nitidamente diminuir nosso trabalho e nossa intelectualidade por conta da nossa vivência, obviamente considerando todas as questões raciais e de gênero que atravessam a perspectiva do território, mas obviamente entendendo um pouco a estrutura da cidade e como a arte opera nela, isso fica evidente.


Não vou deixar um salve pra ninguém, porque se eu deixar pra alguém, vou acabar deixando várias pessoas de fora...mas pesquisem, o TNS fez uma curadoria profunda sobre artistas suburbanos.



E que papo é esse de aposentadoria?


Eu creio que a maioria das pessoas compreenda a dificuldade de se viver de arte no Brasil, quanto isso chega na bolha da arte contemporânea, entram muitas outras problemáticas, ao longo do caminho você vai aprendendo e observando coisas, olha pra frente, pra trás, analisa o tempo de agora, por vezes...nós temos que seguir. Eu vou mudar o modo de fazer, a essência e a minha meta pessoal seguem as mesmas.



Tem chance de voltar atrás? Tá pensando em embarcar em outras áreas?


Assim, eu não sou louco de recusar carvão, mas tem que valer o churrasco. Quando eu tiver algo de bom pra mostrar pras pessoas eu explano.



Para conhecer melhor os trabalhos do Renan, você pode acessar seu site aqui.



O TNS acredita que essa não será a última vez que traremos o trabalho do Renan por aqui. E também se orgulha profundamente de contribuir pro registro de um artista suburbano de grande talento e relevância. Mesmo em tempos difíceis, como este que atravessamos, que o subúrbio carioca continue sendo local de encontro e colaboração entre artistas, coletivos, ativistas e todos que se propuserem a construir um subúrbio potente.