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  • Vic Witsch

Ilessi e Som na Toca

A história de uma grande cantora suburbana, potencializada pela plataforma de financiamento coletivo de artistas independentes

Ilessi em show ao vivo. Imagem: Rogério von Krüger

Ilessi, nasceu em Campo Grande mas foi criada em Jacarepaguá. Começou sua carreira musical com 17 anos, cantando profissionalmente em bares e restaurantes.


Atualmente tem mais de 20 anos de carreira e quatro álbuns gravados: “Brigador”, de 2009, com músicas de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro; “Mundo afora: meada”, com composições de vários artistas; “Com os pés no futuro”, no qual ela interpreta músicas de Manduka com o multi-instrumentista e arranjador Diogo Sili; e “Dama de espadas”, seu primeiro disco autoral.


Durante sua trajetória de vida conta que foi muito influenciada pela família, principalmente por seu pai, que era músico e chegou a ter uma banda que interpretava as músicas dos Beatles. Quando criança ele também sempre a levava em shows e concertos no centro da cidade, proporcionados através de programas sociais de acesso à cultura, que tinham ingressos a preços acessíveis.


Minha família toda é muito musical, eu comecei a estudar violão e tive aula com o Carlinhos Delmiro, uma das pessoas mais importantes em minha formação. Como as aulas eram caras, não conseguia fazer frequentemente e mantinha maior contato com o Carlinhos, pela proximidade, já que ele morava na Praça Seca.

Criada na Zona Oeste da cidade, Ilessi transitava muito pela Zona norte e tem lembranças da casa da sua tia, em Vista Alegre.


Eu me lembro de chegar na casa da minha tia em Vista Alegre e subir uma escadaria enorme, era uma casa muito musical e a gente ouvia música alta. Quando eu fui pra zona sul, eu estranhei muito, porquê qualquer sonzinho era ‘ai por favor baixa o som’. Enquanto eu estudava ou dava aula, o vizinho até gritava ‘manda essa mulher calar a boca que ninguém aguenta mais!’. Na zona oeste eu nunca vivi isso.

Mas não só lembranças boas que as vivências suburbanas trazem para ela.


Eu acho que o subúrbio me marcou mais, não num sentido diretamente de vivência musical, mas no sentido de ver como as coisas funcionam, como é o comportamento das pessoas inclusive os comportamentos ruins. Comportamentos tóxicos dos homens, uma coisa que sempre me fez muito mal.

Os territórios suburbanos atravessaram Ilessi em suas vivências pessoais. Não só em experiências diretas, mas também subjetivas, que a fizeram se conhecer/se reconhecer.


Eu sinto que essa vivencia que a gente teve foi tudo que me marcou, que marca minha musica, meu canto, como eu construo meu canto, como eu construo as vozes e efeitos e personagens milhares que surgem enquanto eu canto.
Imagem: Sonia Mibielli

Em seu currículo, em paralelo com a carreira musical, ela se formou em Serviço Social, na UFRJ e chegou a trabalhar em uma delegacia exercendo a profissão. Mas a música sempre esteve muito presente em sua vida e a guiou para um curso de formação na Unirio alguns anos depois, onde teve a oportunidade de fazer um intercambio para a Suécia.

Minha trajetória foi de muita persistência, eu sempre tive muita certeza do que eu era e do que eu queria ser. Sempre cito que tenho essa ânsia de aprender, de aprender coisas novas. Eu sinto a potência que eu tenho, mas sofri muita insegurança e especialmente por conta do racismo e das estruturas atravessadas pelo racismo, isso me gerou inseguranças que em muitos casos pode ter me paralisado, mas no caso da música, por mais que eu tivesse manifestações de insegurança eu nunca parei, sempre tive a certeza que seria incrível e meu único caminho.

Ano passado Ilessi lançou dois discos 'Com os pés no futuro – Ilessi e Diogo Sili interpretam Manduka ' foi lançado em Janeiro de 2020 e contou com a plataforma de financiamento Coletivo Som na Toca, para ser viabilizado.


É uma galera que é músico, que sabe a importância da música, que tem um respeito muito grande. Eles vestem a camisa mesmo. A gente fica se reinventando pra conseguir criar e fazer a coisa seguir em frente.

https://www.somnatoca.com.br/



O som na toca busca fortalecer a classe artística independente e construir formas alternativas de financiamentos. A partir de agora ele é um dos parceiros do Tem no Subúrbio, nos ajudando no propósito de incentivo à cultura e aos artistas suburbanos.


A Ilessi é uma das suburbanas que contaram com o apoio deles e, em breve, traremos outros artistas e projetos suburbanos que também foram financiados através da plataforma.



Capa do álbum 'Dama de espadas' Imagem: Lorena Dini

No final do ano passado, Ilessi lançou mais um albúm, dessa vez o seu primeiro disco autoral, derivado do show também intitulado 'Dama de espadas'.


O disco possui 11 faixas e apresenta composições assinadas por vários parceiros, como a Simone Guimarães e o Jorge Andrade. Mas também apresenta composições assinadas somente por ela, no caso 'Eu não sou seu negro' é uma música inspirada no documentário de 2018 baseado na obra inacabada do escritor norte-americano James Baldwin.


Todos os seus álbuns podem ser ouvidos no spotify:



E para acompanhar seu trabalho, acompanhe suas redes sociais:

https://www.instagram.com/ilessicantora/


Assim como do Som na Toca:

https://www.instagram.com/somnatoca/