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Humanização no Asfalto

Coletivo de artistas LGBTQI+ visa suprir as ausências de representatividade, incentivo e visibilidade no seu território através de ações multilinguagens,



Humanização no Asfalto é um coletivo de artistas LGBTQI+ que, através de ações multilinguagens, visam suprir as ausências de representatividade, incentivo e visibilidade no seu território, atuando como um instrumento social de resistência pela liberdade de ser quem se é. O coletivo atua na zona da Leopoldina do Rio de Janeiro através de ocupações, feiras, festas ato, festivais, exposições culturais, e em sua formação atual, é tocado por três mulheres.


O estopim do projeto foi como uma reação ao ataque que deixou 50 mortos em uma boate gay nos EUA, em 2015. É o que nos conta a Talita Nascimento (@__talitanascimento), uma das fundadoras do coletivo:


"Fizemos um ensaio fotográfico, materializando as sensações com as novas vivências lgbt periférica, trocávamos sobre os preconceitos que passávamos. Esse atravessamento [o ataque na boate], junto com as sensações que a gente identificava, quisemos que aquelas fotografias se tornassem lambes, e espalhar pelo subúrbio do Rio, onde a gente falaria sobre a questão das camadas subjetivas das nossas sensações em relação ao preconceito dentro das periferias, e então começamos a colocar alguns cartazes na Penha.”

Daí, surgiu o convite da Arena Dicró (@arenadricó) para que o grupo fizesse uma exposição dessas fotos, com o ensaio Humanização. Foram 3 meses de exposição no final de 2016, que deu uma nova perspectiva pro coletivo:


"A gente entendendo que esse recorte lgb periférico,não nos víamos dentro das discussões, nunca era falado sobre isso, sentíamos muito essa ausência. Com essa parceria com a Dicró, a gente viu que dava pra expandir as linguagens, poderíamos falar sobre isso para além das fotos também. Poderíamos fazer uma ocupação artística, pessoas que cantassem, declamassem um poema, expandimos as linguagens pra falar sobre as questões das opressões e da lgbtfobia nas periferias da cidade"


E assim surgiu a ocupação multiartística na Arena Dicró em 2017.


"Entendemos que esse trabalho de rede, com recorte LGBT periférico, precisava ser fortalecido. A cena independente já é difícil, ainda mais no recorte LGBT. Em diversas cenas já existem preconceitos, muita gente tem dificuldade de continuar com a carreira. Percebemos que a gente em rede pode se fortalecer, vimos muita força nessas ocupações artísticas. Depois fizemos um sarau a Arena Jovelina Pérola Negra na Pavuna, e nisso fomos criando rede, conhecendo gente, fortalecendo o coletivo"

Um outro processo que deu força pro Humanização foi a inscrição em editais. É o que conta a Marina (@avistamar):


"O coletivo passou por um amadurecimento estrutural mesmo, a gente conseguir enxergar o coletivo como uma potência pra produzir outras potências, e através dos editais a gente conseguiu aprender a estruturar um coletivo e como que a gente se insere dentro do que tão pedindo, como a gente produz. A partir disso participamos de vários editais, e ganhamos o nosso primeiro no final de 2018."


No final do ano passado, o Humanização um edital pela Lei Aldir Blanc, que possibilitou a realização do C4LOTE Festival LGBTQIA+ Periférico, que rolou online no final de março, e contou com pocket shows e apresentações somente de artistas LGBTQIA+ periféricos.


A Elayne Sacramento (@____elayne) foi convidada pra entrar no coletivo em 2018, e sente que isso lhe proporcionou novas oportunidades:


"Fui convidada pela galera pra integrar o Humanização no Asfalto, e a partir disso foi muito interessante, me abriu possibilidades. Minha namorada já tocava como DJ, a gente tinha um evento num espaço na Vila da Penha onde fazíamos uma festa todo domingo. Era um momento muito importante, nós como LGBTQIA+ suburbanos, temos a questão da sociabilidade, mas onde a gente vai conseguir socializar se a maioria dos lugares são hostis? Ainda mais se a gente for colocar na questão do subúrbio, da periferia, então ter esse momento dentro da semana, dessa galera, era um momento de liberdade, um momento de se expressar, era um retorno muito positivo. Todos as LGBTs do território iam, foi uma das nossas atuações muito importantes, poder dar esse espaço, poder fazer com que esse espaço exista e que seja nosso, que a gente resista através de um evento como uma festa."


O Humanização no Asfalto se tornou um movimento de rede, que ajuda a fortalecer e impulsionar a expressão LGBTQIA+ no subúrbio. Você pode acompanhar o trabalho deles em @humanizacaonoasfalto.